10.04.2008

"Into the wild" parte IV. Vulcao Uturunco e a estrada mais alta do mundo? (Bolivia)

DIAS 37 e 38
Dias livres em Quetena Chico


Foto de "familia": A Sra Modesta e Sr Marcelino com os seus filhos e a Didiana e Jeronimo, um casal de Paulistas (a viajar num tour), em frente ao hostal Condor em Quetena Chico, com que passamos alguns bons momentos durante os 2 dias de espera antes de dar inicio a ascensao do Uturunco.


DIA 39
De Quetena Chico ao final da pampa na encosta do Uturunco.
15.3km
Altitude máxima 4477m
Altitude de acampamento 4477m


Hoje foi um dia muito difícil. Os problemas começaram logo pela manhã quando fomos visitar a flota (autocarro), estacionada na poeirenta praça principal, não tinha nada para vender. Tinham-nos dito que traria vegetais e fruta desde Uyuni, mas a senhora a cargo das mercearias não tinha viajado desta vez e estava vazia. Num acto de desespero começamos a bater ás portas de particulares a pedir comida. Conseguimos juntar alguns vegetais que agregamos a alguns enlatados que tínhamos comprado no dia anterior. Enchemos as garrafas de plástico, 11 litros, com água do poço da senhora Modesta e ás 11.45 horas partimos.

Praça principal de Quetena Chico

Apesar do Sr. Marcelino nos ter afirmado que não havia água no percurso para além de um acampamento abandonado no inicio da subida, esperávamos encontrar alguma neve ou gelo mais próximo do topo do vulcão que pudéssemos usar para beber e cozinhar, mas o que ainda não sabíamos era que o pouco gelo que havia estava contaminado por enxofre. As indicações do Sr Marcelino, que no dia anterior tinha subido comigo a um cerro por detrás da aldeia para me explicar o melhor caminho a tomar, foram bastante boas. Sem essas indicações não teríamos conseguido decifrar o miríade de caminhos que há á saída da aldeia.

O progresso foi muito lento, a estrada estava numas condições terríveis, mas era pedalavel parte do tempo. Nos dois dias de espera em Quetena Chico não me tinha alimentado adequadamente e sentia-me fraco e débil. Apesar de ter deixado algumas peças de equipamento na aldeia, a água e comida acresciam bastante peso á carga, provavelmente acima dos 40 kg. Estava constantemente a ficar para trás, a Joana seguia a bom ritmo, uma vez que ia consideravelmente mais leve.


A dado momento paramos a discutir sobre do peso das bicicletas e do meu fraco desempenho. Estávamos a ter um péssimo inicio de ascensão e a moral era baixa. Ao final do dia tínhamos percorrido apenas 15 km e com apenas 400m de subida acumulados. Parava frequentemente para recuperar forças. Ainda mal iniciamos a ascensão e começo já a questionar se iríamos conseguir. E mais, valeria à pena? A estrada era simplesmente desastrosa cheia de calhaus e com partes arenosas onde tínhamos que puxar as burras, pois empurrar, por vezes não era o suficiente.

A 10 km de Quetena Chico passamos pelo acampamento abandonado com um pequeno riacho por perto. Apesar do mau sabor da água atestamos as garrafas. O caminho em desuso começa a afastar-se lentamente da pampa e aproximando-se do sopé do vulcão. Montamos acampamento aos 4477 metros. Amanha iremos tentar subir 650m até aos 5150m. Pode parecer um numero irrisório, mas dadas as condições da estrada, a nossa carga e a altitude, será um verdadeiro desafio.

DIA 40
Do final da pampa a algures na encosta do Uturunco.
8.9km
Altitude máxima 5138m
Altitude de acampamento 5138m


Eram 10.30 da manhã quando deixamos o acampamento e continuamos a empurrar as bicicletas montanha acima. Tínhamos acordado determinados a continuar. Ao km 18.9 desde Quetena Chico atingíamos os 4700m e dávamos inicio a uma serie de “switchbacks” ou curvas de cotovelo, com inclinações superiores a 10%. Áquela altitude as burras recusavam ser montadas e o progresso era muito lento. Avançávamos a uma media de 2/3 km por hora, parando cada 30 ou 40 metros para recuperar fôlego.

Já quase há um ano que pedalo sobre a espinha dorsal andina e os largos milhares de quilômetros percorridos em estradas de montanha tinham-me convencido que quanto mais alta for a estrada menor era a inclinação, algo que tinha comprovado nos passes onde havia chegado acima dos 4000 metros como no Equador e no Peru, mas aqui, no Sudoeste do altiplano Boliviano, as estradas parecem ser construídas ao acaso, sem regras e com inclinações superiores a 15% acima dos 4500 metros, são desenhadas em linhas de água e trepam as encostas, parecem feitas como se ninguém as fosse utilizar.

Este tortuoso caminho foi construído há cerca de 20 anos atrás para dar acesso a uma mina de enxofre situada no topo do vulcão, com a queda dos preços deste mineral no mercado mundial a mina fechou e a estrada caiu em desuso. Hoje em dia é apenas percorrida por alguns aventureiros e Andinistas que se predispõem a conquistar o seu topo.



Montamos acampamento aos 5138m com vistas fantásticas do vulcão e vales de circundantes que se perdiam de vista. Tínhamos feito apenas 9 km, todos eles a empurrar. Estávamos exaustos, a ficar com pouca água, sem a mínima idéia a que distancia estaríamos do topo, sem a certeza de que estávamos no caminho certo e tão pouco estávamos seguros das razões porque desejávamos estar ali.

Tinha tomado conhecimento desta estrada, por acaso, há mais de um ano atrás quando pedalava pela America Central e o calor me levou a procurar estradas mais altas e temperaturas mais amenas para pedalar. Uma busca na internet das estradas mais altas de todos os países Centro Americanos, as quais pedalei, excepto na Guatemala e no Panamá, fez-me encontrar o site de uns franceses que em 2005 numa expedição de bicicleta sem carga e com carros de apoio haviam subido ao topo do Uturunco. Foi apenas em La Paz que consegui localizar o vulcão nos mapas.

Mas será esta a verdadeira estrada mais alta do mundo? Durante muitos anos o governo Indiano fez acreditar ao mundo que o passe de Khardung La, a 5602 metros, era o passe mais alto do mundo, mas uma expedição catalã recentemente confirmou que a medida exacta e de 5359 metros. O topo da estrada que sobe ao vulcão Uturunco foi medido em GPS pelo único ciclista (Italiano), pelo menos que eu tenha conhecimento, a subir em total autonomia. Ele registrou o “cole de sac”, ou estrada sem continuação, a 5836 metros de altitude o que é superior ao Khardum La por uns vantajosos 477 metros.

Julgo que o Uturunco não se qualifica como a maior estrada do mundo por não ser asfaltada e não ter continuação. Sejam quais forem os requisitos para o titulo honorifico o certo é que este percurso sobe a encosta do vulcão com umas inclinações tão fortes que é simplesmente impossível pedalar, pelo menos com as bicicletas carregadas. Os números atestam esta realidade: a ascensão dos 4350 metros aos 5836 é feita num espaço de apenas 15 km.

DIA 41
De algures na encosta do Uturunco ao seu cone.
6.3km
Altitude máxima 5702m
Altitude de acampamento 5688m


A Joana desperta-me com a noticia de que tinha ouvido o barulho de motores de carros. Há dois dias que não víamos vivalma e seria a oportunidade de perguntar se estávamos no caminho certo e talvez obter alguma água. Quando saímos da tenda já tinham passado pelo acampamento. Continuamos o nosso ciclo-masoquismo montanha acima. A meio do dia o jeeps passam por nos já no seu regresso a Quetena Chico, em dois deles vinha uma comitiva de Andinistas internacionais: dois Ingleses, um Americano e 3 gerações de uma família Mexicana, vinham acompanhados por um guia de La Paz e pretendiam subir a vários picos acima dos 6000m sendo o cume do Sajama o seu próximo destino.


Incrédulos com a nossa missão de subir ao topo do Uturunco em autonomia e com as bicicletas carregadas presentearam-nos com frutos secos, barras energéticas, água e fruta. Mas mais incrédulos estávamos nós com o avô do Oscar que com 70 anos tinha acabado de subir ate aos 6000. Informaram-nos de que faltavam cerca de 5 km para o final do caminho mas que as inclinações continuariam inclementes. Desacreditando a visão de alguém que viaja em jeep por não ter os “olhos” de um ciclista, pensei que não poderia ser pior do que tínhamos feito até ali e seguimos viagem determinados a concluir a nossa etapa. Pensámos que conseguiríamos chegar ao topo nesse dia mas o caminho era agora de calhau rolado e as inclinações continuavam cruéis!


A dado momento o caminho parecia desafiar as leis da gravidade e subiu durante uns 100 metros com uma inclinação que seria com certeza superior a 25% (as rodas da bicicleta rodavam tão lentamente que não conseguia ter uma leitura correcta das inclinações no meu altímetro), e tendo em conta que já estávamos acima dos 5000 m poder-se-ia dizer que verdadeiramente o que fazíamos não era cicloturismo mas ciclo-masoquismo! Empurramos com muita dificuldade uma bicicleta de cada vez, estávamos agora no cone do vulcão e o chão estava revestido de terra de um branco amarelado pelo enxofre, passamos por varias fumarolas e seguimos viagem.


Ao final da tarde uma curva revela o que parecia um ultimo troço de estrada, provavelmente com pouco mais de um quilometro de extensão. Mas estávamos exaustos e não tardaria que o sol desaparece-se no horizonte. Tão perto, mas tão longe. O único lugar onde era possível montar a tenda sem ter que dormir com 30 graus de inclinação era a própria estrada, mas com 300 metros de montanha escarpada e de rocha solta por cima de nós, não nos atrevemos a acampar ali e retrocedemos cerca de um quilometro acampando perto das fumarolas de enxofre onde a encosta nos parecia menos susceptível a derrubes nocturnos.


Dentro do meu saco cama tento visualizar a nossa localização numa perspectiva aérea, um ponto minúsculo naquela vasta paisagem selvagem com centenas de quilômetros de deserto em nosso redor, o cheiro a enxofre, o frio e a sensação indescritível de estar a acampar no cone de um vulcão adormecido a 5700m de altitude. Nessa noite não dormi bem.

DIA 42
Do cone do Uturunco a Quetena Chico.
32.5km
Altitude máxima 5783m (ponto mais alto da viagem!!!)
Altitude de acampamento 4150m


Com o sol a nascer por detrás da montanha e com o vento forte a soprar logo pela manhã quando sai para desmontar a tenda não tardou a que os meus dedos congelassem provocando dores insuportáveis como se estivesse a ser picado por milhares de agulhas. As luvas térmicas de fraca qualidade compradas no Equador meses antes eram praticamente inúteis e de facto as meias da Joana metidas nas mãos provaram ser mais eficazes contra o frio do que as próprias luvas.

2 km depois chegamos ao final do caminho. Estávamos, segundo o meu altímetro, a 5783 metros de altitude. Uma sensação de bem estar apoderou-se de mim. Por breves momentos esqueci-me de que acabara de passar 3 longos dias a empurrar a bicicleta num sacrifício que desafiou a minha própria sanidade mental. Contemplei a paisagem marciana em meu redor e sentia-me exultante por ter aqui chegado, no entanto a falta de oxigênio e a minha fraqueza física imploravam pela descida. A Joana, contudo, estava determinada a subir a pé até ao topo do vulcão. Um pouco resignado, subimos juntos, a passo lento, os restantes 200 metros até ao topo. O meu altímetro registrava 6006 metros de altitude (leituras de GPS indicam 6020) e como tínhamos prometido ao Hervé (cicloturista suíço que encontramos no salar de Uyuni), ali saboreamos o chocolate suíço que nos tinha oferecido.




As vistas fantásticas pareciam ser tiradas de um filme de ficção cientifica, não foi por acaso que a Nasa, nos seus experimentos na exploração do Planeta Marte, procuraram um local no planeta terra para efectuar os seus ensaios que tivesse as condições climáticas e paisagísticas mais semelhantes e escolheram o vulcão Lincancabur, situado a sudoeste não muito distante de onde nos encontrávamos. Com a gravidade a nosso favor a descida até Quetena Chico levou-nos apenas uma tarde a fazer, chegamos á aldeia ao anoitecer. A lua cheia presenteia-nos com uma ultima imagem do que foi com toda a certeza o maior desafio físico e mental de toda a minha vida.


DIA 43
Quetena Chico
Dia de descanso


Pës de molho no tacho!

DIA 44
DE Quetena Chico a meio da subida cruel.
24.1km
Altitude máxima 4475m
Altitude de acampamento 4475m


A subida ao Uturunco foi suficientemente dura para que começássemos a desejar sair do altiplano o quanto antes. Viajávamos por esta paisagem desolada de estradas tortuosas já há 44 dias (sem contar os 15 dias na parte norte do Altiplano onde as estradas são de facto planas mas com paisagens menos interessantes). Com o aproximar do aniversario da Joana que melhor para presentear-la senão algumas comodidades e confortos que encontraríamos em São Pedro de Atacama já no outro lado da fronteira?
Mudamos de planos mais uma vez e decidimos não ir á Laguna Colorada e Geiseres ‘Sol de la manana’, seguindo directamente para a Laguna Verde na fronteira como o Chile passando pelo do salar de Chalviri e Deserto de Dali.

Tínhamos percorrido 10 km quando chegamos a Quetena Grande, uma aldeia ainda menor que Quentena Chico. Nos quilometros seguintes pedalamos por uma serie de pequenos casarios de pedra, alguns abandonados, outros com alguns vestígios de presença humana.




É simplesmente incrível a tenacidade humana para viver em lugares tão hostis. Aqui, acima dos 4000m, a Pacha Mama (Terra Mãe), é infértil e os poucos animais que se adaptam a estas altitudes são as lamas e as alpacas. De que vive esta gente? O que comem, e porque são tão obstinados em viver aqui? Fiz essas e outras questões a mim próprio inúmeras vezes enquanto enfrentava as calamitosas estradas altiplanicas. Nem eu sabia bem o que andava por ali a fazer montando numa bicicleta carregadissima. Será que havia algo em comum entre mim e estas gentes? Será que eram as dimensões incomensuráveis das montanhas, a vastidão, e a beleza irrefutáveis da paisagem crua que nos atraiam a todos?

Ao fundo do vale rochoso por onde pedalávamos uma enorme montanha interpunha-se no nosso caminho, um riacho semi-congelado desviava-se para a esquerda e ziguezagueava seguindo o seu caminho para sudoeste. A Joana avista uma estrada a subir a encosta da montanha e diz-me que temos mais um “empeno” pela frente. Analisando a minha bússola e mapas não fazia sentido subir a montanha quando o vale aberto seguia para sudoeste. Para minha completa perplexidade, poucos quilometros depois estávamos de novo a empurrar as burras por mais uma subida cruel de inclinações simplesmente ridículas. A estrada subia pelas linhas de água como se fosse uma corda gigante lançada ao acaso. Lagrimas de desespero começam a cair pela cara da Joana e, no seu rosto, podia ver que questionava como eu o sentido daquela etapa. Damos o dia como concluído e acampamos ao lado do caminho. Amanhã enfrentaremos o resto da subida.

DIA 45
Da subida cruel a (depois de) Laguna Kolpa.
18.1km
Altitude máxima 4726m
Altitude de acampamento 4611m


Depois de mais um pequeno almoço de baixo teor energético, bolachas de água e sal barradas com doce, maisena feita com leite em pó e café, à custa desta dieta havia perdido vários quilos de peso nas ultimas semanas, seguimos viagem empurrando as bicicletas montanha acima. As inclinações superiores a 15% obrigavam-nos aos dois, a empurrar uma bicicleta de cada vez.

Atingimos o passe de 4726 metros de altitude e entramos num outro vale mais elevado e desolado que o anterior. O vento forte incessante golpeava as bicicletas lateralmente o que reduzia a nossa velocidade a uns meros 8 ou 9 quilometros por hora. Passamos por varias lagunas com cores brancas do sol que reflecte nas águas rasas e de grande teor salino. Á tarde o vento intensifica-se. Procuramos um lugar para acampar protegidos do vento, mas a pampa aberta não nos oferece escolha. Acampamos a 1.5 quilometros depois da laguna de Kolpa.





DIA 46
Da Laguna Kolpa a Laguna Verde.
1.5km em bicicleta mais 60 km em jipe.
Altitude máxima 4617m
Altitude de acampamento 4341m


Estávamos acampados a 4600 metros e aquela altitude o vento não deixava o sol aquecer a terra. Carrego os alforjes na burra e quando me viro para traz acontece o que eu mais temia, tinha deixado o feixo aberto e sem o peso dos alforjes a tenda cedeu. O vento inclemente partiu ambas as varas e fez um rasgo lateral de cerca de 80 cm. A força dos elementos tinha reclamado a sua vitoria. Estávamos numa das zonas mais inóspitas da America do Sul onde a supremacia da Pacha Mama é inquestionável.


Derrotados e impossibilitados de continuar sem tenda, retrocedemos até a um acampamento de trabalhadores que havia junto á Laguna Kolpa e ai convencemos o responsável pela exploração de boro a transportar-nos em jeep até a Laguna Verde. As negociações com o pouco voluntarioso capataz levaram toda a manhã e só partimos lá pelo meio dia, depois de um suntuoso acordo monetário. Foram cerca de 60 km a ver a paisagem passar pelo vidro da janela como se de televisão se tratasse. Ao Chegar a Laguna Verde, que recebe o seu nome pelas tonalidades únicas das suas águas, alojamo-nos num albergue de montanha perto da lagoa e a uns escassos 7 quilometros da fronteira.

DIA 47
Da Laguna Verde a San Pedro de Atacama (Chile)
61.6km
Altitude máxima 4612m
Altitude de acampamento 2527m



Depois das formalidades aduaneiras Bolivianas em Hito Cajon (as Chilenas são em San Pedro), num edifício de rés de chão num manifesto estado de decadência e sob a sentinela do Vulcão Lincancabur, entramos em território Chileno. A paisagem mantém a sua espetacular postura, e a única diferença que marcava a entrada num outro pais era a Estrada Alcatroada! Poucos quilometros depois chegamos não só ao alcatrão, mas também ao inicio de um fantástico downhill de cerca de 2000m que nos levou desde o frio altiplano ao Oasis de temperaturas moderadas de São Pedro de Atacama. Depois de um mês e meio a pedalar nas estradas mais desastrosas do continente, o alcatrão era como se fora um tapete voador. Ah, como era bom senti-lo de novo!



Estávamos ansiosos por um bom duche de água quente, cama confortável, roupa lavada e comida de ingredientes frescos. São Pedro de Atacama ofereceu-nos tudo isso e algo mais, mas a preços exageradamente elevados, pelo menos para o nosso modesto orçamento. Depois de tantas semanas a viajar pelo desolado altiplano, São Pedro de Atacama pareceu-nos um lugar moderno e sofisticado. Mas na verdade é apenas um pequeno Oasis no vasto deserto de Atacama que engloba quase todo o norte do Chile. Uma pitoresca povoação de casas de rés de chão construídas em adobe com uma praça cheia de sombra e vistas fantásticas para uma serie de vulcões que pincelam a paisagem a Este da aldeia. É também lugar de passagem para muitos viajantes e mochileiros que deambulam pelo Hemisfério Sul Americano, a sua popularidade tem crescido irrefutavelmente nos últimos anos, e uma aldeia tão turística que não parece haver nenhuma outra actividade genuína para alem das que estão relaccionadas com a exploração do turismo.



Hoje a Joana faz 30 anos, iremos celebrar esta data, e também o final da etapa mais dura da viagem, em requinte. Fomos a um restaurante onde comemos a mais deliciosa mesa de queijos e o mais suculento jantar dos últimos meses regados por duas garrafas do melhor vinho chileno, afinal não e todos os dias que se celebram 30 anos, que se sobe acima dos 6000 metros e se viaja e sobrevive, em boa companhia, nas paisagens mais hostis do planeta. O altiplano Boliviano foi sem duvida a etapa mais dura de todas as minhas aventuras cicloturisticas, e se ouso imaginar como teria sido a experiência caso o tivesse feito sozinho, e porque sei que sem a Joana, o seu encorajamento nos momentos mais cruciais, a sua determinação e a combinação das nossas energias para atingirmos metas, e muito provável que concluiria esta etapa com um balanço menos positivo do que o obtido na sua companhia!

Nuno Brilhante Pedrosa

5 comments:

Anonymous said...

Olá Nuno e Joana,

Só uma palavra para este vosso feito: incrível!

Andar por aí de bicicleta? Eu ainda fui de moto...
Quando falo com algumas pessoas só me dizem: eles sao loucos!

Continuaçao de boa viagem,
Antonio

LPE said...

Nuno um grande abraco da outra parte do mundo!

Da os meus parabens a Joana!

tiago

Julio Cortázar said...

Olá Nuno. Há mais de um ano que acompanho a tua viagem e hoje decidi escrever. Este sonho que estás a realizar é extraordinário. Além dos desafios físicos e psicológicos que sucessivamente tens vindo a superar com exito é muito nobre teres aliado a tua viagem ao Núcleo de Leiria da Associação Portuguesa de Paralesia Cerebral. Todas as semanas venho aqui à procura de um novo post porque os lugares, pessoas e aventuras que nos mostras são viciantes. Dá vontade de pegar numa bicicleta e concretizar os meus sonhos. Aquela viagem do Panamá para a Colômbia, a visita às culturas e plantações da selva colombiana, o deserto e salinas da Bolívia, uau... Tu tens vindo a provar que quando se quer realmente algo as barreiras do impossível são muito poucas.
Força nessa aventura!

Abraços e beijinhos para a Joana que tem vindo a demonstrar ser uma mulher de muita força!

Anonymous said...

Também tenho acompanhado a vossa viagem há mais de 1 ano. E sim, vocês são loucos. Mas têm uma loucura saudável, aquela que corta amarras e pulveriza clausuras. Absolutamente fantástico. Boa continuação e muito ânimo para o resto da viagem.

dan said...

Oi, conheci seu blog ontem atraves de uma pesquiza no google, e estou gostando muito de sua viagem =P

Será que você poderia dar dicas pra alguem que nunca praticou cicloturismo(eu)?

Queria saber por exemplo quais equipamentos eu deveria usar, e qual o preparo ideal pra fazer a viagem que você está fazendo.

Ps.: Meu e-mail: akrabalarab@hotmail.com