2.25.2013
3.30.2009
Tertúlia da viagem no orfeao de leiria
A entrada è livre. Os donativos recolhidos reverterão para as crianças especiais da APPC – Leiria.
Fica então o convite feito, apareçam!!!
Agradeço desde já a vossa participação

3.10.2009
Junto ao estreito de Magalhães e a escassos dias do final da viagem...
Os relatos desses 5 meses de viagem pela Argentina e Chile virão numa fase posterior da viagem depois do meu regresso a Portugal.
Estou em Punta Arenas junto ao estreito de Fernão de Magalhães, na patagônia chilena e hoje mesmo vou partir para a derradeira etapa na ilha Tierra Del Fuego. São apenas 530 os quilômetros que me separam de Lapataia, o final das estradas no continente americano e também final desta viagem.
Espero poder fazer uma actualização final desde Ushuaia antes de regressar a Leiria.
Fica então encontro marcado para o “fin Del Mundo”
Seguem-se algumas fotos das ultimas semanas de viagem pela Argentina e Chile
Até breve
A famosa ruta 40 que liga a argentina de norte a sul por mais de 5000 km acompanhando a cordilheira andina. Excepto para a “carretera austral”, nas ultimas semanas tenho pedalado por centenas de quilômetros neste tipo de paisagem.
Paso de Puheunche entre a Argentina e Chile
1.11.2009
O país esquecido da America Latina (Paraguai)
Eu sabia perfeitamente localizar o Paraguai no mapa, mas se me perguntassem há dois anos atrás para citar duas ou três coisas de relevância acerca do país e teria que pensar duas vezes antes de falar. Hum... não tem mar.... foi colonizado pelos espanhóis, tem o mais famoso mercado de contrabando da America do Sul (Cuidad del Este) e a capital é Asuncion, ou será Montevideo?
Já tinha viajado pelos recôndidos deste planeta, mas tinha que admitir que pouco ou nada sabia acerca deste pequeno país. E era essa mesma indigna ignorância que me tinha atraído a querer conhecê-lo. Alguém no Brasil uma vez disse-me: "porque queres ir lá? Não há nada para ver, não há turismo". Bem, eu não preciso ver coisas, (muito menos turistas), o que eu quero é experiênciar coisas.
Um casal de brasileiros que conhecemos em Bonito tinham-nos advertido que o Paraguai era feio e perigoso. Eu sabia que não era verdade. Desde o inicio da viagem que ouço essa historia; Canadianos diziam que as cidades nos EUA eram perigosas, os Americanos por sua vez falavam dos perigos que iria correr ao viajar no México, etc, etc. Já para não falar do que os Panamenhos falavam dos Colombianos!

Damos inicio às nossas pedaladas no país e logo no primeiro dia iríamos ter a nossa primeira lição de historia Paraguaia. A 45 km a Oeste de Pedro Juan Caballero situa-se o Parque Nacional Cerro Corá, um pequeno e pouco visitado parque nacional que protege não só uma das ultimas florestas de selva atlântica do pais, mas que também tem um significado histórico para paraguaios: foi o lugar da ultima batalha da guerra da Aliança Tripla. Em meados de 1860 o senhor Varguez, o então dictador da pequena nação achou que o seu país não estava a receber o respeito merecido pelo mundo exterior e para rectificar esse "problema" decidiu declarar uma guerra em simultâneo ao Brasil, Argentina e Uruguai. Quando estes 3 países perceberam que estavam sobre ataque paraguaio conduziram uma ofensiva que dizimou 2/3 da população masculina adulta do país. Uma verdadeira catástrofe demográfica que levou a igreja católica a autorizar temporariamente a poligamia para aumentar a população do país, e o uso de trabalho infantil na construção de obras publicas.
As estradas dentro do parque Cerro Cora destruídas pelas chuvas
Casas abandonadas do antigo acampamento militar





Para nós, alheios a essas disputas do passado, o parque nacional Cerro Corá pareceu-nos um lugar paradisíaco para uns dias de descanso. Vegetação luxuriante, um pequeno rio para uns bons mergulhos e um parque de campismo gratuito nas velhas instalações militares sobre a sombra de grandes arvores, e sem vivalma em redor. Mas os alforjes apenas providenciaram comida para 2 dias e com certa pena tivemos que seguir viagem. Ainda hoje (retirando as muitas estatuas de dirigentes militares espalhadas pelo parque) imagino aquele lugar como um sitio idílico para ter uma casa de ferias.
Na verdade foi o único lugar de beleza natural que marcou a nossa passagem pelo Paraguai, o resto das nossas pedaladas pelo país foram através de uma vasta aldeia rural de pequenas fazendas onde a natureza esta completamente dominada pelo homem. É certo que não visitamos a parte Oeste do país e a vasta região do Chaco que ocupa 2/3 do território nacional com os seus pântanos e selvas quase impenetráveis e apenas ocupadas por pequenas comunidades de Menonitas e comunidades indígenas Guaranis. Essa área (talvez juntamente com o contrabando?) é símbolo do orgulho nacional.
Quase um século depois da guerra da triple aliança, o Paraguai estava de novo na sua capacidade máxima de luta e demonstrando que podia aprender com os seus próprios erros, decide mais uma vez, declarar guerra a um país vizinho, desta vês a um do seu próprio tamanho, a Bolívia. Esta foi uma guerra muito mais bem sucedida e o Paraguai conquistou essa vasta zona pantanosa que existia entre os dois países e que até aos dias de hoje esta praticamente inacessível e desabitada: o grande Chaco paraguaio.
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Avenida principal de Villa Rica
Brinquedos artesanais à venda nas estadas do Paraguai.
A casa do Dom Marco de Sra. Victoria que nos alugaram um quarto para passar a noite em Cruce Tacuati.
Mas quanto mais pedalávamos pelo Paraguai mais ficávamos surpreendidos com o que víamos. Apesar das suas estúpidas guerras do passado, os paraguaios demonstravam uma singeleza e amabilidade única, e veemente agarrados às tradições Guaranis, cuja língua ainda hoje é o principal idioma falado no país.
Pedalamos 736 km pelo Paraguai, todos eles em estradas de alcatrão com excelentes bermas e pouco trafico. Foi um constante sobe e desce através de uma paisagem ondulante e preenchida por pequenas fazendas. As casas em madeira à beira da estrada eram pequenas, mas sempre rodeadas por jardins bem cuidados, e para alem de alguns "sem terra" que viviam em improvisadas barracas de madeira revestidas por plásticos à beira da estrada ou à entrada das fazendas (como forma de protesto), parecia não haver muita pobreza, ou pelo menos não era visível.
Acampamento dos “sem terra”, um grupo que também existe no Brasil e que reclamam a devolução das terras dos seus ancestrais
Chegamos a Iby Yaú ao final da tarde e procuramos um hotel para passar a noite. Durante os nossos curtos 12 dias no Paraguai apenas acampamos no Parque Nacional Cerro Corá. Nesta parte do país não é fácil encontrar um local para colocar a tenda a não ser que seja no quintal de alguém. A paisagem rural esta completamente pintada de casas e parcelas de cultivo. As aldeias por vezes estendem-se por dezenas de quilómetros junto à estrada sem interrupção.

Iby Yaú era mais uma dessas aldeias campesinas e que deve a sua existência ao entroncamento de duas estradas principais. Algo que aprendemos na analise dos mapas do país foi que, se houvesse um cruzamento, haveria uma aldeia, mesmo que esta não viesse assinalada no mapa. O sol começava a perder a sua intensidade e preparava-se para se esconder por detrás do horizonte, varias crianças descalças brincavam despreocupadamente à beira da estrada alheias ao trafico que para além da ocasional carroça de bois era escasso. Apesar das suas roupas singelas, os sorrisos das suas caras e corpos saudáveis radiavam um certo bem estar. Alguns adolescentes jogavam voleibol numa rede improvisada entre duas arvores num parque de estacionamento, a apoia-los, um grupo de jovens raparigas sentadas junto a varias motos num jogo cúmplice de risadas. Ao lado do hotel, sentados nuns bancos arranjados em redor da sombra de uma grande arvore, um grupo de pessoas jogavam cartas por entre conversas do campo e goles de cerveja Pilsen. Por breves momentos o jogo foi interrompido com a nossa chegada e das nossas burras carregadas. Tocaram-se saudações amigáveis e algumas interrogações de curiosidade, e apesar dos contínuos olhos curiosos sobre as nossas burras o jogo retomou o seu rumo. Ao contrario de outros países como o Peru ou mesmo no Equador onde a nossa presença poderia significar uma reunião da aldeia inteira, aqui as pessoas pareciam saber respeitar o espaço do forasteiro, mesmo que seja raro ver um, em especial em duas rodas. Esta visão de um pais rural onde a riqueza, apesar de não ser abundantemente, parece estar equitativamente dividida pela população (salvo para um pequeno grupo que parece viver confortavelmente do contrabando junto às fronteiras ou das remessas de familiares a viverem no estrangeiro), o abraçar da terra, do seu cultivo, e a brandura da vida em redor do campo, da harmonia com a terra, iriam acompanhar-nos nas nossas pedaladas pelo país e tornar-se o ponto alto da nossa curta viagem no Paraguai.

O Sr Alberto, dono do hotel, recebe-nos com um caloroso comprimento e convida-nos a tomar Teréré com ele e a sua esposa. Teréré é uma infusão de ervas aromáticas (principalmente de Yerba Mate), cozidas e bebido frio, e que nas zonas rurais é muitas vezes servida no casco ou corno de uma vaca e sorvida através de um tubo metálico que é partilhado por todos. Tem um sabor amargo e acre que foi de imediato rejeitado pelas minhas papilas gustativas. Gosto adquirido imagino, a olhar pelas crianças que desde novas já estão com corno ou casco na mão!
Em Iby Yaú viramos para sul com direcção a Asuncion, a capital, já perto da fronteira Argentina. Deixamos as burras em Villarica e viajamos em autocarro a Asuncion regressando no mesmo dia.
Apesar de Asuncion não ter o glamour da arquitectura colonial existente noutras capitais Latinas, de facto os seus edifícios parecem uma amalgama de estilos difíceis de identificar, mas existe uma certa ordem e fleuma citadina que não se encontra noutras capitais latinas.


A Joana tinha o seu regresso a Portugal marcado para dentro de poucas semanas e já não nos restava muito tempo para deambulações em duas rodas. Apressamos as nossas pedaladas rumo à Cuidad Del Este onde chegamos 3 dias depois já ao anoitecer.
Dando jus a inúmeras historias que tínhamos ouvido acerca da falta de segurança nocturna na cidade e aos conselhos da dona do hotel onde nos alojamos, refugiamos os nossos corpos cansados debaixo do ventilador do quarto e já não saímos. Vários tiros vindos algures de uma rua nas traseiras do hotel asseguraram a estadia nos nossos aposentos para o resto da noite.
Durante o dia o ar da cidade, apesar de caótico, era mais leve, talvez por ser domingo e as lojas fecharem depois do meio dia. Centenas de vendedores de rua interactuam com os milhares de brasileiros, argentinos e turistas que cruzam a fronteira para fazerem as suas compras no que deve ser o maior mercado de bens duty free e de contrabando ao ar livre da America do sul. Convenientemente localizada na convergência de 3 fronteiras, (Brasil, Argentina e Paraguai), Cuidad del Este é um paraíso fiscal para comprar qualquer tipo de bens electrónicos e não só, verdadeiros ou não... Nas ruas adjacentes à avenida internacional podemos encontrar desde o ultimo modelo de GPS a excelente copias de canetas Mont Blanc, relógios Rolex, armas AK-47, sacos de marijuana, os mais recentes filmes em DVD por pouco mais de um dólar, ou até mesmo acessórios para bicicletas Shimano.
Chegada a Cuidad Del Este
A moeda Paraguaia, o guarani, deve ter sido do dinheiro mais desgastado e corroído que eu jamais usei...
Avenida internacional, a principal arteria da Ciudad Del Este
A Joana aproveitou para comprar souvenirs aos índios Guaranis que um pouco desarticulados de toda aquela atmosfera, ali se deslocavam com os seus artefactos no desejo que fossem tão apelativos como o ultimo modelo de uma câmara fotográfica Nikkon, o portátil Sony, o écran panorâmico da Panasonic, que se viam das montras em frente das quais estendiam as suas mantas de artesanato. Deixamos Ciudad del Leste pouco depois do meio-dia, a cidade desapareceu no silencio e com as lojas fechadas a cidade desertou.


Cruzamos a fronteira para o Brasil e atravessamos a cidade de Foz de Iguaçu, cerca de 20 km depois estávamos em Puerto Iguazu, no lado Argentino. (as 3 cidades estão praticamente juntas apenas separadas pelas confluências dos rios Paraná e Iguaçu)
Com a chegada a Puerto Iguaçu, chegávamos também à meta final da viagem em bicicleta para a Joana. Um momento especial que mereceu ser celebrado de forma não menos especial.
Mas a viagem não terminava ali.
Estava na altura de deixar a burra de lado por uns tempos e tirar umas férias....das férias!
Vejam tambem esta viagem atravez dos olhos da Joana em www.movimentos-constantes.blogspot.com
Nuno Brilhante Pedrosa
12.26.2008
Pantanal e a serra de bodoquena (Brasil)

São apenas 20 os quilómetros que separam a cidade fronteiriça de Puerto Suarez na Bolívia e Corumbá no Brasil mas as diferenças separam-nas a anos luz, em particular para os nossos olhos, habituados à singeleza e inércia tropical das aldeias remotas do oriente boliviano, Corumbá parecia-nos uma cidade moderna ordenada e próspera. No entanto alguns edifícios coloniais em estado de decadência testemunhavam os tempos em que a cidade era um importante porto comercial no rio Paraguai.

Alojámo-nos num desses edifícios, o Hotel Angola, cuja simpática e faladora dona nos conta que pertenceu a um senhor de "lá de Portugal de África". Ficamos um pouco à conversa. Tínhamos deixado o mundo hispânico para trás e pela primeira vez na viagem podíamos falar sem barreiras idiomáticas, contudo, não podia deixar de me sentir um pouco estúpido a tentar imitar a suave cadencia melódica do brasileiro.
Passamos um dia em Corumbá a absorver os novos ritmos do país e a ajustar a nossa fonética. E um dia de descanso numa cidade topical, começa com um avantajado café da manhã seguido por um passeio pelas ruas da cidade até ao meio dia quando o calor sufocante obrigava a uma paragem para almoço seguida pela sesta sagrada, debaixo do ventilador, é claro. Quando o sol deixa de ser uma verdadeira ameaça, esta na hora do 5 duche de água fria do dia e o regresso à actividade: um passeio junto ao porto da cidade para ver o pôr do sol e uma(s) cerveja Brahma num dos bares junto ao cais.
No dia seguinte partimos com direcção à Estrada Parque, para conhecer um pouco da "jóia da coroa" ecológica Brasileira, o Pantanal. O Brasil nunca tinha figurado nos nossos planos de viagem. É um pais demasiado grande e com uma misogenia social e paisagística tão ampla que implicaria uma viagem por si só, além de que estava muito longe da Cordilheira Andina. As várias historias que íamos ouvindo ao longo dos meses através de relatos de outros viajantes fizeram-nos mudar de ideias. E ainda bem que o fizemos.


A Estrada Parque é um caminho de saibro e barro vermelho que atravessa uma pequena parte do pantanal no estado do Mato Grosso do Sul. Começa a cerca de 15 quilómetros de Corumbá e termina 140 quilómetros depois em Buraco das Piranhas. Durante o seu percurso atravessa dezenas de pontes de madeira sobre os vazantes dos rios Areião e Paraguai, parte do vasto delta do pantanal. Levamos 3 dias a pedalar esses 140 km, não porque o caminho fosse mau (também não era muito bom) mas porque as razões para parar eram muitas. É simplesmente incrível a quantidade de animais que se podem observar ao longo do percurso, desde jacarés (estima-se que haja entre 10 a 30 milhões desses bichos no pantanal), capivaras, veados, macacos, papas-formigas. Mas o que mais chama a atenção é a passarada, uma amálgama infinita de tamanhos, cores, formas de voar, ninhos e chilreadas, que nos obrigavam a desmontar inúmeras vezes e observá-los por longos momentos. Entre muitos o emblemático pássaro do pantanal com mais de um metro de altura, o jabiru.













Estávamos no inicio de Outubro e as primeiras chuvas da temporada já se começavam a sentir e em breve esta estrada iria estar intransitável durante vários meses. Ao final da tarde chegamos a Curva do Leque, um aglomerado de 5 ou 6 casas e um restaurante, aproximava-se uma tempestade mas decidimos continuar. O caminho agora era arenoso e com algum barro, mas dava para pedalar. Poucos quilómetros depois começam a cair as primeiras gotas, tínhamos que montar acampamento com rapidez, mas o único local seco que havia sem termos que partilhar o espaço com uma família de jacarés ou capivaras era na própria estrada. A Joana parecia preocupada com a ideia de ter as rodas dos carros a passar a pouco mais de um metro da sua cabeça e junta umas ramas de árvores em redor da tenda para servir de protecção. Mais tarde quando a chuva e relâmpagos se intensificaram, o tráfego era o menos das nossas preocupações. Apesar de eu não o ter admitido na altura (para não preocupar ainda mais a Joana), essa noite assisti ao que foi provavelmente a maior tempestade eléctrica que jamais alguma vez vi dentro da minha tenda. A proximidade dos relâmpagos e o seu som em stereo eram assustadores.

Na manhã seguinte, depois de uma noite quase sem pregar olho, seguimos viagem por um caminho bastante enlameado que nos obrigava a empurrar as bicicletas por pequenos troços. Em poucas horas o sol forte e o calor inclemente secaram a estrada e pudemos seguir sem grandes dificuldades.


O calor acompanhou-nos durante as 3 semanas que pedalámos no Brasil e fazia-nos transpirar como rios em época de chuvas. Mas pior que o suor era o fastio de beber água a 30 graus, que apesar de evitar a desidratação não retirava a sede, essa água maldita com sabor a sopa insípida!

O Brasil foi o pais das sestas na rede...

Qualquer sitio era um bom sitio


De volta ao alcatrão continuamos viagem rumo a Miranda, mais uma cidade Brasileira relativamente limpa moderna e organizada. A ausência de lixo nas ruas das cidades e estradas do Brasil foi algo que me impressionou bastante, pelo menos comparado com outros países em vias de desenvolvimento na América Latina como o México e Argentina onde o lixo é simplesmente deitado janela fora e os desperdícios do consumismo são parte da paisagem urbana e rural. No Brasil (ou pelo menos em Mato grosso do Sul), parece haver um pouco mais de civismo e preocupação pela preservação da natureza. Sim, o Amazonas, eu sei, mas isso é tema para outro blogue, de uma outra viagem!


Miranda marcou a mudança de cenário na nossa curta viagem de 735 km pelo Brasil. Deixámos para trás a zona do pantanal e começamos lentamente a entrar na Serra de Bodoquena onde iríamos pedalar nos próximos dias. Esta zona é território de peões de boiadero a conduzir as boiadas, ou manadas de bois, pelas vastas pastagens. O solo é de um vermelho ocre, o céu enorme, a paisagem ondulante que nesta altura do ano está coberta por um vívido manto de verde onde milhares de ninhos de térmitas, construídos na terra brotam do solo como feridas da natureza.



Os solos calcários da Serra de Bodoquena com as suas inúmeras grutas, lagos e nascentes subterrâneas alimentam e filtram as águas dos vários rios que descem as serranias deixando-os livres de sedimentos e com a água cristalina. A inquestionável beleza natural desses lugares (infelizmente quase todos dentro das terras dos fazendeiros que cobram bem caro para visitá-los) tornou a região num dos principais destinos de eco-turismo do Brasil, sendo a cidade de Bonito a base para exploração desses atractivos naturais.

Montámos acampamento num parque de campismo junto ao Rio Formoso a 8 km da cidade de Bonito e aí passámos uma semana a descansar. Os elevados preços a pagar para visitar esses ditos lugares eco-turísticos dissiparam o já escasso desejo em fazer qualquer tipo de excursão organizada, e dedicamos uma semana a fazer os que cicloturistas mais gostam de fazer quando não estão na estrada: comer e descansar as pernas!
Espetada na espia...nova especialidade dos ciclituristas..
O descanso em Bonito servio tambem para algumas revisoes nas burras...
Este pneu trocado em Bonito, ja rodava pelas estrdas do continente ha quase 20.ooo km, desde o Yucatan no Mexico.----------
Durante a viagem ja tinha `passado por situacoes bastante cariatas com a minha tenda, desde levantar voo com a aterragem forcada de um helicopetro, tarantulas e ate mesmo ser alvo da ira de uma vaca com diareia, mas esta nunca me tinha acontecedo: esta cadela deu a luz 6 cachorinhos dentro da tenda enquanto dormiamos!

Outubro é época baixa em Bonito o que significou que tivemos o parque de campismo quase só para nós, e que implicou ter para nosso quase exclusivo uso um dos lugares mais bonitos de toda a travessia do Brasil: uma da cascátas do Rio Formoso adjacente ao campismo e o paradisíaco Poço da Sucuri, uma piscina natural com um tronco de uma arvore caída a servir como trampolim onde passamos horas a mergulhar nas águas cristalinas do rio.
Buraco da Sucuri...



Facilmente teríamos passado mais uma ou duas semanas naquele lugar, mas tínhamos que seguir viagem. Planeávamos 4 semanas para chegar às Cataratas de Iguaçu, mas pelo caminho queríamos conhecer um pouco mais de um outro pais: o Paraguai.
Depois de 4 dias de ciclismo desinteressante passando por Bela Vista e Antonio João chegávamos finalmente à cidade fronteiriça de Ponta Porã, e à cidade gémea de San Juan Caballero no lado Paraguaio.
Tem mesmo que colocar sinais a indicar comunidades indigenas? Porque???
As duas cidades estão juntas, separadas apenas pela avenida internacional, e as pessoas circulam livremente entre as duas cidades sem qualquer tipo de controle. Um contexto que apesar de não ser único a nível de fronteiras, não deixa de ser peculiar. Procuramos a emigração brasileira situada no edifício da policia federal e entramos no Paraguai, cuja decadência evidente fez lembrar que o Brasil já há muito que ganhou aos seus adversários latino-americanos a corrida do desenvolvimento. Tivemos alguma dificuldade em encontrar a emigração paraguaia situada num velho edifico junto ao terminal de autocarros, mas as formalidades foram rápidas e eficientes e poucos minutos depois saiamos com um visto gratuito de 3 meses.
Depois das árduas etapas de ciclismo na Bolívia, o Brasil foi um pouco como se estivéssemos a fazer cicloturismo de lazer, o que eu prefiro chamar de passeio no parque. O calor forte e as largas distâncias entre pontos de interesse acrescidos aos elevados preços provocados por um Real (moeda brasileira) muito forte, foram dos pouco factores negativos da nossa visita. Por outro lado a surpreendente sensação de segurança e honestidade das pessoas que encontramos nas zonas rurais, a melhor comida da região sempre acompanhada por um excelente serviço profissional, a natural simpatia dos brasileiros, e a inquestionável beleza do Pantanal, deixou-nos com a sensação que a nossa passagem pelo país fora muito curta e deixou um forte desejo de um dia regressar.

Por do sol na estrada parque..
Nuno Brilhante Pedrosa
